Buenas, pessoal!
Começo o relato de hoje com uma constatação acerca da bagagem que levo comigo:
Devo ter escrito em algum lugar deste blog que a lista de petrechos da bagagem, entre ferramentas, acessórios da bicicleta, "kit gambiarra" (arame, braçadeiras, engasga-gato, superbonder, velcro, etc), higiene pessoal, acampamento, vestuário, lavanderia, equipamentos eletrônicos, medicamentos, alimentação, e outros, passou de 150 itens nesta viagem. Fica pesado, sem dúvida, mas a autossuficiência numa percorrida dessa envergadura - mais de 2.000 km - é fundamental.
Pois ontem à noite, quando fui desmontar a bagagem para guardá-la no hotel em que me hospedei em Minas, dei pela falta do pezinho portátil. Ficou para trás ou em San Jose de Mayo ou em San Jacinto. O separador dos alforjes dianteiros eu mesmo deixei numa lixeira em Chuí (descobri um jeito de prendê-los diretamente no garfo e eliminei aquele peso morto), e uma toalhinha voou na descida da serra entre Encruzilhada do Sul e Canguçu, nem percebi. Três itens a menos na lista, dois por absoluta bocabertice minha...
Uma curiosidade - apenas isso - que compartilho com os leitores.
Uma curiosidade - apenas isso - que compartilho com os leitores.
Outra constatação é com respeito aos motoristas uruguaios: são uma das maiores gratas surpresas desta viagem. Na sua grande maioria andam dentro da velocidade permitida, dão a preferência, não buzinam... tanto é assim que nestes quase 1.600 km percorridos eu passei por uma batida apenas, em Montevideo, por causa de uma obra na rodovia. Senão, estaria zerado até hoje. Muitas vezes, cruzando alguma ponte sem acostamento, lentamente por causa do peso da bicicleta, ouvia carros e até caminhões freando atrás de mim, o pisca-alerta ligado, e o motorista me escoltando até a cabeceira da ponte, sem reclamar, sem me apressar, é realmente algo digno de nota.
Bom, o meu dia:
Saí de Minas completamente "atrasado" (se bem que estou de férias, esse atraso fica por minha conta...). Passava das 09h quando ingressei na Ruta 8. Meu plano era almoçar em Mariscala, a 60 km, e pernoitar em Pirarajá, 30 km mais à frente.
O dia estava bem propício para pedalar, apesar do sol escaldante e constante. Aí, toca se refrescar nos arroios que cruzam a rodovia. Foram diversos banhos hoje.
A imensidão do vale que percorri hoje a venci praticamente sozinho na estrada. Domingo, calor infernal desde as primeiras horas da manhã, de quando em vez cruzava um caminhão bi-trem carregando lenha. O demais foi silêncio e solidão. Também, só maluco para estar na estrada nessas condições...
Consegui chegar em Mariscala às 14h, e fui numa pequena padaria que há no local para almoçar. Aproveitei para descansar um pouco e escapar do sol inclemente.
Às 15h voltei a pedalar. Em menos de 2 horas chegava em Pirarajá. Quando entrei na cidade, pressenti que ali jamais haveria uma hospedagem, quanto menos um hotel. A cidade toda não é maior que o Bairro Imigração, em Montenegro! Encontrei um bar aberto, só o dono lá dentro, e quando perguntei por um lugar para pernoitar ele sorriu e me respondeu que só a 40 km dali, em Varela.
Eu já havia feito 90 km. Que decisão tomar? Montar acampamento debaixo de um cinamomo ou seguir viagem? Achei melhor prosseguir. Mas já na saída da cidade uma gigantesca nuvem crescia no horizonte, e o vento - tão generoso durante todo o dia - começou a mudar de direção.
Minha velocidade média caiu absurdamente. Já cansado, agora tendo que vencer mais 40 km, e ainda com vento contra e prenúncio de tormenta, fim de tarde, bã, vi que seria punk.
Quando entrei na zona do temporal, tive que descer da bicicleta e empurrá-la, porque simplesmente não consegui mais pedalar, de tanto vento. Farol ligado, sinalizador traseiro ligado, alforjes encapados, olhei para o ciclocomputador: faltavam ainda 21 km!
Estava já empurrando a bicicleta por 40 minutos, mas ainda sem chuva forte, quando uma caminhonete Mahindra, com dois homens dentro, passou por mim e parou alguns metros à frente. O motorista deu de ré, e o caroneiro abriu a janela, me perguntando se eu estava com problemas. Disse-lhe que não, só que não estava conseguindo pedalar. Na hora ofereceram uma carona, na hora aceitei. Já tinha pedalado por 114 km, faltavam ainda 18 km para chegar a Varela, o dia escurecendo por causa daquela nuvem, achei prudente não arriscar o pelo na estrada naquelas circunstâncias.
Colocamos a bicicleta em cima da caçamba, onde também me acomodei, e viemos para Varela. No caminho, a chuva engrossou, mas muito menos do que eu esperara.
O gentil proprietário da caminhonete me deixou na entrada da cidade, e vim atrás de um hotel. Tive que aguardar um pouco a recepcionista chegar - tinha ido em casa tomar banho, vê se pode... coisas do interior -, tempo suficiente para a chuva amainar e o céu proporcionar um espetacular arco-íris no horizonte. Duplo, ainda por cima! Bah, bonito demais!
Molhado, cansado, queimado, com fome, com sede, ainda tive que desmontar toda a bagagem e levá-la escada acima, porque o quarto é no segundo andar do Hotel Patron. Fiz umas 5 viagens, hehehehe...
Deu tempo ainda de descobrir que havia um gaúcho hospedado, porque vi uma motocicleta Falcon com placa de Santa Rosa estacionada na garagem. Nos encontramos no corredor, nos apresentamos, e logo descobri que o "gaúcho" é na verdade um alemão, o Thomas, que mora em Santa Rosa, e que está fazendo uma viagem de 6 meses pela América do Sul. Do Uruguai parte para a Argentina, depois Chile, Peru, Bolívia, sempre de moto. Que bárbaro!
(Me descuidei hoje, passei menos protetor do que devia, tomei um tostaço. Que babaquice.)
Aí saí para procurar algo para comer. Acabei encontrando um trailer de cachorro-quente. Li na placa: Chivitos, a $ 120 pesos (uns R$ 15,00). Pedi. Veio um munaio! E com uma carne excelente. Foi a janta, claro.
Amanhã a pedalada será pequena, não mais do que 40 km. Chegarei em Treinta y Tres e procurarei uma oficina de bicicleta, porque apareceu um problema na caixa de centro que só com um reaperto e lubrificação não consegui resolver. Terei que desmontar o sistema para descobrir o que está provocando estalos e ringidos.
Estou chegando mais perto de casa!
Bait'abraço!
Incrível ver a sua força de vontade. Foco Dindo, foco, que na volta, vou ter o prazer de ouvir suas histórias. Abraços, e continua assim, com essa "potência" invejável.
ResponderExcluirHehehehe... certamente teremos muitas histórias para contar, vocês das férias na praia e eu desta viagem. De repente, rola mais um acampamento na chácara, para, junto ao fogo de chão, uma carne sapecando no espeto, a bicharada noturna nos espiando curiosa, podermos contar tantas aventuras deste verão.
ResponderExcluirSiiiiiiiiiiiimmmmmmm
ExcluirEntao volta logo vetéra. E força aí! Abração...
Tá combinado!!!
ExcluirSó combinar o dia, a carne e os parceiros e partir rumo ao acampamento.
ExcluirAcompanhando sua pedalada, deste Garopaba, por indicação de um amigo, fim do ano pretendemos repetir alguns de seus trechos, bom retorno Abraço
ResponderExcluirVinícius Goulart
Às ordens, Vinícius, se puder ajudar com alguma informação relevante. Obrigado pela "carona virtual" na minha viagem. Abraços.
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