Buenas, pessoal!
Qual o limite do corpo humano?
Esta pergunta me fiz hoje diversas vezes!
Enfrentando o pior dia para pedalar desde quando saí de casa, a 10 dias atrás, me vi obrigado a exercitar duas das maiores virtudes que imagino ter, quando faço viagens de bicicleta: concentração e paciência.
O vento sul me levou simplesmente à exaustão!
Não tenho como precisar sua velocidade, mas certamente soprava a mais de 40 km/h, de forma ininterrupta, com rajadas superiores a 50 km/h. Sem trégua. Sem folga. Sem refresco.
A geografia contribuiu deveras para meu total esgotamento. De Rocha a San Carlos a rodovia é um verdadeiro tobogã, por causa das coxilhas. Não há um corte ou um aterro sequer, o asfalto foi apenas colocado sobre o terreno. Com esse vento maluco soprando, mesmo nas descidas era obrigado a pedalar porque senão a bicicleta parava, e nas subidas tinha que apear da mesma e empurrá-la, porque não conseguia vencer a força do vento. Dos infindáveis 68 km que fiz hoje, certamente 20 km foram caminhando, empurrando a bicicleta lomba acima. Agora à noite - tarde já: meia-noite - ainda tenho uma dor aguda nos músculos longos das coxas, de tanto ter que projetar o corpo para frente para a bicicleta andar ladeira acima.
Para se ter ideia do meu desempenho pífio, das 09h às 13h30min havia percorrido somente 40 km. E dessas 4h30min a bicicleta rodou por 4h. Quero dizer, praticamente não parei!
As duas fotos que seguem serviriam para mostrar uma carreta típica das propriedades rurais daqui, mas na verdade dão uma ideia da força do vento: olhem o capim completamente deitado na primeira e os eucaliptos vergados na segunda:
Ah, sim, as carretas estão ali, também... Lembram muito aquelas que apareceram na minissérie "A Casa das Sete Mulheres", e das quais poucas se veem ainda no Rio Grande do Sul.
Também começaram a surgir os primeiros olivais. O mais bonito deles reproduzo aqui. São mudas novas, mas o local é bem cuidado e o investimento pelo jeito é alto.
E essa figura?
É o Bruno, uruguaio de Artigas (doble-chapa, metade brasileiro), que comprou esta Lambretta 1962 ontem (ontem!!!) e hoje já foi viajar com ela. Parará nas praias para vender seu artesanato em pedras e aproveitar o veraneio. E o maluco sou eu???
Olhem aí outra foto da força do vento nos matos. Quem pedala e lê neste momento o blog sabe do que estou falando. Ainda mais se for considerada que a bicicleta está pesando 57 kg e este bonitume aqui outros 100 kg...
E como é importante ter algum mantimento nos alforjes! Hoje o almoço foi novamente na beira da estrada, debaixo de um eucalipto - até porque fora dos perímetros urbanos não há um bar, restaurante, posto de combustível, só campo e gado - e o atum enlatado estava excelente. De sobremesa mariola de banana. Já pensaram, um desafio como o de hoje ter que ser vencido de estômago vazio?
Cheguei na bela e antiga cidade de San Carlos (250 anos!) às 17h, no limite da minha resistência. Mas tive ânimo ainda para tirar fotos da arquitetura do local. É uma verdadeira volta ao passado.
Cheguei na bela e antiga cidade de San Carlos (250 anos!) às 17h, no limite da minha resistência. Mas tive ânimo ainda para tirar fotos da arquitetura do local. É uma verdadeira volta ao passado.
E há ruas e ruas assim, todas iguais: casas na beira da calçada, sem árvores, sem grama, sem jardins, sem carros.
Estou hospedado em uma estalagem chamada Hospedaje El Mago, muito limpa, confortável, mas cara: $ 1.000 pesos uruguaios (uns R$ 120,00). A desculpa para esse preço exorbitante é sempre a mesma: alta temporada e época de pagamento dos tributos ao Estado. Que culpa eu tenho?
Bueno, 853 km completados. Surpreendente... Para quem queria fazer 100 km por dia em média, sem dúvida as adversidades decorrentes de tantas ventanias que já peguei estão influenciando diretamente no desempenho. Estou a 120 km de distância do meu destino planejado para hoje (Montevideo), e não sei se amanhã consigo vencer essa distância. Basta esse vento sul prosseguir, dormirei no meio do caminho novamente.
Estou adorando tudo isso... hehehehehe...
Bait'abraço!
Nem te estressa, viventeeeee!!!
ResponderExcluirHehehe, na Patagônia é beeem pior! :)
Passando essa frente fria que traz chuva ao nosso RS - chove nesse final de semana por aqui - o tempo logo logo deve voltar ao 'normal'.
Por aqui estamos acompanhando a viagem e nos deleitando com as postagens: um barato!!!
Suerte en la ruta!
Rsrsrsrs...
ExcluirSe na Patagônia é pior eu nao sei, mas que isso aqui está uma curticao, ah, nao tenho dúvida! (e nao repara os erros de digitacao. Estou numa lan-house e o teclado é em espanhol).
Abracos!