quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

14º dia - 15.01.2014 - Turista

Buenas, pessoal!
Hoje pude me dedicar a conhecer Colônia do Sacramento - principalmente a "cidade velha", como chamam por aqui o centro histórico - e posso dizer que é um dos lugares mais pitorescos e adoráveis que já tive a felicidade de visitar.
Colônia tem tudo que o turista gosta: água (Rio de La Plata) - com direito a travessia de barco (Buquebus, que leva a e traz de Buenos Aires, a 45 km de distância) -, História, arquitetura, religiosidade, militarismo, bares, cafés, restaurantes, artistas de rua, música ao vivo, gastronomia típica e universal, artesanato, ecologia, balneários, farois, ruínas, museus, praças e parques, bah, são infinitas possibilidades...
Minha primeira providência na manhã foi deixar todos os alforjes na apart-casa onde me alojei e sair de bicicleta a conhecer o lugar. Fui direto no Centro de Informações Turísticas pegar o famoso fôlder com todas as dicas. Confesso que meu interesse era pela cidade antiga. Prédios e shopping posso ver em qualquer lugar. Uma igreja de quase 300 anos não.
Primeira parada: a orla. E bem no momento em que a embarcação que faz a travessia Buenos Aires / Colônia estava chegando.


Os binóculos que carrego comigo foram, a exemplo da minha viagem de bicicleta ao Chile, atravessando a Cordilheira dos Andes, novamente muito úteis: mesmo a essa distância (45 km) podia divisar os prédios mais altos da capital da Argentina, graças ao dia claro e de sol. Parecem agulhas multicores brotando de dentro da água. É impressionante. Se a foto for ampliada dá para ver melhor.


Entrei pelo Portón de Campo - antiga muralha que tinha inclusive uma ponte levadiça (infelizmente a foto não saiu) - e segui para a Calle de los Suspiros, uma quadra de rua que mantém absolutamente conservado seu pavimento original e a arquitetura da época, de mais de 300 anos...



O Museo Portugues - próxima parada - infelizmente estava fechado. Em Colônia é assim: os museus abrem em dias intercalados, e o mais interessante de todos, justamente o Português, estava fechado. Paciência, fazer o que...
Ainda sobre os museus: nos que visitei hoje não é permitido tirar fotografias e filmar. Motivo: anos atrás alguém fotografou e filmou uma coleção de moedas exposta, e também a estrutura das janelas e portas, consistência do forro, sistema de alarmes... dá para imaginar o porquê: num audacioso roubo, levou toda a coleção, acessando o acervo pelo lugar mais vulnerável do museu, que as fotografias e filmagens permitiram escolher. O ser humano é bucha!
Aí meu destino foi a Plaza Mayor del 25 de Maio, que é o maior espaço aberto da cidade velha. No tempo da colonização, serviu para manobras militares, e muitas gravuras de época mostram carretas e animais no recinto, além de soldados e armamentos. Hoje é uma bonita praça, arborizada e cheia de jardins. E de carros antigos também. Me fartei olhando as fubicas de 50 anos atrás!



Numa das esquinas dessa praça estão as ruínas do Convento de San Francisco, construído em 1694 e incendiado poucos anos depois. Junto às ruínas está localizado o faro (é assim mesmo: faro), cuja construção iniciou em 1845 e demorou 12 anos para ficar pronto, porque os uruguaios tinham uma guerra com a vizinhança para resolver primeiro...


Nessas andanças, sempre encontrando brasileiros, conversando com eles, trocando informações e comentários, tirando foto para e com eles, protagonizamos uma integração muito legal. Não importa se são de Goiás, São Paulo, Maranhão. Nessa hora, todos moramos no mesmo pátio e ficamos amigos rapidamente. É um barato.
Os próximos museus que visitei foram o Museo Municipal (prédio branco) e a Casa de Nacarello (prédio vermelho). O Museo Municipal é o mais antigo de Colônia, e tem verdadeiras relíquias dos aborígenes que habitavam a região, além de aposentos decorados com a mobília dos séculos XVII e XVIII. Ah, encontrei nos fundos o esqueleto da maior baleia já capturada na região, em 1977. Tinha 18 m de comprimento e 40 toneladas. Que belo mocotó não daria tanto tutano... rsrsrs...
Já a Casa de Nacarello é uma edificação tipicamente portuguesa, das pessoas mais simples que moravam em Colônia. Vale a pena visitar a cozinha, nos fundos. As prateleiras eram carreiras de bambu unidos por tiras de couro presas ao forro de pranchas de madeira. Muito interessante.




Agora, outra surpresa do local: sempre ouvi falar das famosas fachadas das casas portuguesas com seus azulejos. Pois nessa cidade histórica, fundada por portugueses, há uma casa destinada a valorizar esse ornamento, chamada Museo del Azulejo. Só que todos os ladrilhos são ou franceses ou catalães. Nenhum português. Vê se pode...



No Museo Indigena está exposta uma coleção privada de um pesquisador dos índios Charruas, habitantes primitivos desta região. Lembrei-me do novo cavalo do meu filho, que recebeu o nome "Charrua", escolhido por nós dois durante um passeio de bicicleta a Brochier dias atrás, antes da minha partida para Colônia. Quem diria que eu encontraria um museu destinado a essa tribo nesta minha percorrida. Pena que também estava fechado, mas para reformas.


Aí bateu de novo e mais forte aquela saudade do piá, das gurias, da esposa, do resto da família... xiiii...
Melhor prosseguir a narrativa.
Outro lugar muito bacana de conhecer é a Basílica del Santísimo Sacramento, com suas paredes de pedra e os campanários azulejados. Foi dentro de sua nave que pude colocar as orações em dia e agradecer ao bom Deus pela oportunidade maravilhosa que mais uma vez me concedeu, de fazer uma viagem de bicicleta em busca de um sonho, plenamente realizado. O cara lá de cima é bom pra mim uma barbaridade...




Amanhã é dia de começar o caminho de volta. Meu Deus, já! Parece que foi ontem que saí de Montenegro e agora estou escrevendo que tenho que voltar. Como passou rápido!
Mudei os planos. Por conta da inesperada demora para chegar aqui - consumi 13 dias -, retornarei por um caminho mais... digamos assim... reto do que na vinda. Passarei por San Jose de Mayo, Canelones, Mariscala, Treinta y Tres, Rio Branco, e aí entro no meu Rio Grande do Sul por Jaguarão, seguindo para casa pela BR-116 até Porto Alegre.
A região oeste do Uruguai, não visitada, ficará para uma próxima vez. Que bom! Só assim tenho motivos de sobra para retornar a este país adorável, de gente amável e gentil. O Uruguai é demais!
Bait'abraço!


4 comentários:

  1. Mazáááá, fizeram até um museu pro meu cavalo, então... hehehe
    Mas, tchê, aquele "peixinho" ali, é do tamanho das carpas no açude do vô Paulo!
    Mas que tal, chegou no destino então... já tá na hora de voltar, que a saudade é pior que prego na bota! Vem logo, te espero de mate pronto e uma costela na brasa, que eu sei que tu nem gosta.
    Abração pai.
    te amo veterano maluco.

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    1. Hehehehe... realmente, só poderia saber de uma coisa dessas (um museu em homenagem ao[s] charrua[s]) vindo para cá.
      Tudo é lindo demais e valeu cada giro do pedivela.
      Estou louco pelo mate e pela costela. E pela tua companhia. Também te amo.

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  2. legal esta tua viagem.Nós chegamos na semana passada do Uruguai.Fizemos mais de 3.000Km de carro.Colônia é simplesmente maravilhoso.Mas o que mais me chamou atenção neste País foi a disponibilidade e hospitalidade do povo.Amei conhecer o Uruguai e quero voltar.Boa viagem.Deus te acompanhe

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    1. Tenho a mesma percepção que tu, Cristine, que o Uruguai é um país fantástico e tão próximo de nós. Temos muito que aprender com a hospitalidade dessa gente. Abraços!

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