domingo, 19 de janeiro de 2014

17º dia - 18.01.2014 - Agora, o rumo é a nordeste

Buenas, pessoal!
Mais um dia percorrido de bicicleta pelo Uruguai. 
Tem sido um jogo de paciência enfrentar o calor impressionante que está fazendo - não é só o calor, mas o mormaço, quando para o vento - e o asfalto quente potencializando os efeitos sobre o corpo e sobre o equipamento. Vou mudando a estratégia conforme a situação que se apresenta. Por exemplo: está impossível pedalar do meio-dia até pelas 3 da tarde. O jeito é procurar uma sombra e aguardar. Isso interfere diretamente no desempenho, mas também cria situações inusitadas como a que narrarei logo abaixo.
Essa foto abaixo retrata a única opção de hospedagem em San Jacinto, onde pernoitei noite passada. Façam reserva, porque são só dois quartos:


Essa também é uma parte muito divertida da viagem. Embora todo o planejamento, não me preocupo em fazer reserva em hotéis, porque posso querer ficar um dia a mais em algum lugar, ou passar direto... Aí, começa a caça a lugar para pernoitar. Vale colher informações em posto de combustível, com taxista, na estação rodoviária, na padaria. Garanto: são absolutamente confiáveis. Mas às vezes as opções são poucas, e é preciso se sujeitar a dormir em lugares muito simplórios, como esse daí.
Quinze quilômetros depois de sair de San Jacinto, ingressei na Ruta 8, e levei um susto: o vento nordeste bateu de frente em mim. Bueno, marcha leve, toca pedalar sem pressa.
E assim segui até Solis de Mataojo, 40 quilômetros mais à frente, onde parei para almoçar. Fazia uns 40°C.
Estava degustando uma milanesa (bife à milanesa com purê) quando um morador da cidade foi se achegando, perguntou do tempo, da bicicleta, de onde vinha e para onde ia... daqui a pouco estávamos tagarelando como velhos amigos. Se chama Angel Valor, é servidor da companhia elétrica do Uruguai e, embora sendo natural de Artigas, mora há 20 anos em Solis.
Quando lhe disse que ia procurar uma praça para esperar o forte do calor passar, ele me falou que sua casa estava à disposição, e que poderia descansar lá. Insistiu tanto que achei seria um desaforo não ir. O homem inclusive havia pago um refrigerante de 1 litro para mim. A partir daí tive a oportunidade de passar horas muito agradáveis em sua companhia e de seu filho Cristian, de 23 anos. Ele fez questão de me mostrar seu barbacoá, o espaço para preparo das parrillas. Realmente, os uruguaios investem muito nisso, como nós em churrasqueiras para juntar o povo aos domingos.
E que casa agradável! Um baita jardim, extremamente bem cuidado, me alojei à sombra de um salseiro. 



À sombra do salseiro, vou te dizer uma coisa, quase peguei no sono...


É incrível como uma bicicleta equipada com alforjes chama a atenção das pessoas, e como muitos não se sofrem em vir perguntar se é promessa, se é férias, se é volta ao mundo... O simpático Angel é um exemplo pronto de que o cicloturismo é extremamente profícuo em novas amizades.
Mas era preciso partir. Despedimo-nos com um baita abraço e retomei a estrada.
Tinha ainda 40 quilômetros pela frente e uma dúvida me assolava: desde antes de chegar em Solis já divisava uma cadeia de morros à minha direita. Só o que faltava ter que subir lomba antes do final do dia...


Por sorte, à medida que avançava, vi os morros mudando de direção e, na chegada a Minas - minha parada hoje - poucas coxilhas não chegaram a dificultar muito a percorrida.
E o Uruguai aproveita bem os ventos: sobre essas elevações, mais um parque aeólico (aquelas torres que a foto reproduz).
  

(A camiseta molhada se justifica: óbvio que havia dado um mergulho num arroio quilômetros atrás. Só assim para aguentar o calor.)
Bati hoje na casa dos 1.477 km já rodados.
Acho que, em 4 dias, entro no Rio Grande.
"É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor...". Será que essa frase do compositor gaúcho Leonardo já demonstra a saudade de casa?
Bait'abraço!    

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