Buenas, pessoal!
Nos últimos dias a bicicleta vinha "reclamando" do esforço a que estava sujeita. Tracionada com vigor de manhã à noite, muitas vezes por dez horas seguidas, passou a apresentar alguns barulhos estranhos. Nada de anormal, apenas incomodativos.
E nada pior do que pedalar ouvindo um irritante "roac-roac" em alguma víscera da bicicleta onde não se consegue chegar com a chave de roda ou com o óleo lubrificante.
Por isso hoje resolvi "afiar o machado", como se diz na gíria, quero dizer, aprontá-la para a parte final desta viagem: fiz um pit stop na cidade de Treinta Y Tres. Pedalei apenas 30 km, de Varela até aqui - onde me hospedei no Hotel Treinta y Tres, por acaso 3 estrelas (é sério, não é para curtir com o nº 3) - e levei a bicicleta ao revendedor local da Trek por indicação da recepcionista do Hotel - que também é ciclista, pratica downhill (descida com obstáculos, uma modalidade tri-difícil, me admirei de uma guria tão jovem participar).
O mecânico Enrique se puxou! Desmontou toda a caixa de centro, reengraxou os rolimãs, reapertou o eixo, o pedivela, tirou uma folga (o que estava gerando o "roac-roac" de que falei antes), consertou o freio dianteiro - de cujo suporte a solda havia quebrado quando passei pela Estação Ecológica do Taim -, acrescentou esferas no cubo dianteiro, limpou a bicicleta... E sempre muito curioso, perguntando da viagem, das dificuldades, do caminho...
A cada cliente que chegava mostrava a bicicleta. Não falava nada: só apontava para ela, com cara de "olha esse camelo!". Me divertia com a cara de espanto das pessoas, eheheheh...
Essa função toda aconteceu à tarde, porque o taller (oficina) só abre às 15h. Antes disso é sesta, nem pensar.
Também por indicação da guria do Hotel fui almoçar num restaurante próximo. Olhei o cardápio, vi o nome costilla riojana, pensei: que diabos será isso? Paguei prá ver.
Bã!
Chuleta assada, cebola, tomate, pimentão, presunto, queijo, dois ovos fritos, purê de batata, um limãozinho para temperar e pão com uma meleca para passar em cima. Bom demais! Até porque a carne no Uruguai é sempre muito macia. Deu apetite?
No final de tarde, fechou o tempo de novo, prenunciando chuva. Me lembrei de uma música gauchesca que começa assim: "O tempo se armou de fato / lá pros lados do Uruguai / vai chover barbaridade / que sem poncho ninguém sai...". Pura poesia. E saudade da querência também.
No fim, alarme falso. Nem uma gota d'água. E o entardecer no Uruguai me presentou com mais um show de matizes multicores.
Já são 1.623 km desde minha saída de Montenegro, em 19 dias pedalados.
Amanhã, uma imensa travessia: de Treinta y Tres a Rio Branco (ainda no Uruguai), 130 quilômetros no meio de absolutamente nada a não ser campo e gado. Não há um posto de combustível sequer, um restaurante, um bar, nada. Terei que madrugar, salir temprano, como se diz por aqui.
Estou feliz por já estar tão perto do Rio Grande do Sul. O Uruguai é fantástico, mas voltar pra casa não tem preço.
Obrigado a todos pelas palavras de incentivo, pela "companhia" de todos os dias, pelas mensagens no facebook, pelos comentários no blog, pela "corneta" - sempre tem! rsrsrs -, enfim, vocês não imaginam como me alegro em ler recados de pessoas tão diferentes, cada uma se manifestando do seu jeito, compartilhando sua impressão dessa percorrida solitária que estou fazendo nesta grande pampa meridional.
Bait'abraço!
Show meu amigo. Estamos todos acompanhando essa tua grande indiada. A cada post é como se estivéssemos aí contigo nessa aventura. Continue centrado e com essa determinação que tudo dará certo. Forte Abraço.
ResponderExcluirMeu amigão! É uma indiada mesmo, das buenas - rsrsrs -, mas cada metro valeu a pena, pelo conhecimento que a gente adquire, pelas pessoas que cruzam no caminho, pela superação de um desafio pessoal. Tu pedalas, sabes do que estou falando. Que bom que estás acompanhando a viagem pelo blog. Te cuida. Abraço grande.
ExcluirPaulo, meu amigo do coração, como está essa viagem? Vou te acompanhar viu? Bem assim teus anjinhos da guarda.... Mas é muuuito tempo.... Aproveita! bjos! abços! saudades...
ResponderExcluirComo demoraste para dar o ar da graça, mi'a flor! Estranhei que tu - que gostas tanto do Uruguai (de Punta del Este em especial) - não havias visitado o blog ainda. Lê e te diverte com as maluquices deste teu amigo ciclista. Que saudades de ti! Beijocas do fiel escudeiro.
ExcluirForça aí pai! Saudades...
ResponderExcluirSaudades muitas também, filhão. Quem sabe no domingo 26 já nos vejamos, se tudo der certo. Beijos.
ExcluirAcabei de adquirir uma bicicleta de nome Ildefonso Soler.
ResponderExcluirPoderiam me falar sobre ela. Obrigado.