Buenas, pessoal!
Cometi um descuido no planejamento do dia de hoje que me custou caro. Mais uma vez provou-se que a execução de um projeto pode não sair a contento por fatores estranhos ou imprevistos. Mas o planejamento tem que ser impecável, inclusive quanto à possibilidade de ter que ser executado um plano B.
Meu erro foi não considerar os 140 km que me separavam de onde estava - Rio Branco, ainda no Uruguai - a onde pretendia chegar hoje, Pelotas. Essa distância deveria ter me feito sair às 07h, a exemplo de ontem, para ter o dia inteiro à disposição. Mas não. Só saí da Pousada às 10h. Me danei.
Rio Branco é mais limpa e organizada que Chuy. E os free-shops são mais novos e modernos. É uma legião de brasileiros comprando.
E essa a Ponte Mauá, que une os dois países divididos pelo Río Branco.
Eu bem no meio do rio!
Jaguarão, cidade antiga e que cresceu subindo a coxilha a partir do rio. Tem um belo cais.
Logo depois estava na BR-116. Aí começou meu martírio.
O acostamento simplesmente não existe! É só pedra solta ou grama. Foram praticamente 120 km disputando espaço com carros, caminhões e ônibus numa rodovia estreita, com intenso fluxo, e com motoristas apressados, inconsequentes e mal-educados. Brasileiros, óbvio.
Pra piorar, há um degrau da pista de rolamento para a grama, o que me impossibilitava de descer a todo momento.
Recebi centenas de buzinadas ostensivas, com a mensagem subliminar "sai da faixa, ô trouxa!". Ah, não tinha dúvida. Respondia: "Quer que eu ande aonde, ô babaca?"
Foi um dia estressante. E me deu uma saudade inesperada e louca do Uruguai, dos seus motoristas educados, pacientes e atenciosos. Não pensei que seria tão imediata.
Pior: me apercebi quão mau motorista sou também, sempre com pressa, dirigindo competitivamente e não preventivamente, igual a essas antas que passavam por mim buzinando e querendo que eu rodasse na grama esburacada. Aprendi uma grande lição hoje.
E as capas na bicicleta se explicam: peguei chuva por mais de duas horas, logo depois da minha saída. Com a pele mais sensível por causa da intensa umidade, fiquei assado nas virilhas, devido à fricção com o banco. Como ficar de bom-humor assim? Santo hypoglos, rsrsrs...
Duas alegrias da estrada:
Uma delas foi encontrar meus amigos Camargo e Koka, montenegrinos, com os filhos (o guri foi quem tirou a foto), que quando passaram por mim me reconheceram e pararam alguns metros à frente. Que legal rever gente conhecida tão longe de casa!
Outra foi uma fonte d'água no meio do mato, numa das paradas que fiz para descansar. É ouro!!!
Mas as horas foram passando, o atraso da manhã cobrando o preço, percebi que não conseguiria fazer os 140 km previstos.
Escurecendo já, passei pela entrada de Pedro Osório, mas vi que a cidade ficava 12 km para dentro, à esquerda. Mais 8 km e eu chegaria no pedágio, onde cogitei de montar minha barraca e pernoitar. Decidi seguir em frente.
Era noite escura, 21h30min, quando avistei a placa de 1 km do pedágio. Acho que nunca desejei tanto ver um anúncio desses na minha frente... eheheh...
Falei com a líder do posto e obviamente não me deixou montar acampamento ali. É uma área de segurança, e embora percebesse que eu não representava um "perigo", não quis descumprir as ordens superiores.
Pior foi dizer-me que à frente a rodovia estava em obras e o "acostamento" não existia mais, por causa da duplicação do trecho.
Imagina! 10 da noite, 17 km ainda até Pelotas - naquelas circunstâncias 1h30min a mais de pedalada -, 118 km já percorridos, a sugestão da líder do posto foi me levar de carona até um hotel.
Putz! Outra carona?
Ela mesmo, todavia, me convenceu a aceitar: noite sem lua, um breu, eu exaurido, a rodovia sem acostamento, muitos motoristas (brasileiros, urghhh!!!) ainda na estrada, obras à frente... Topei.
E aí foi uma risada geral no posto! A ambulância do resgate já havia levado todo tipo de gente acidentada, agora, uma bicicleta pesadona no espaço da maca, isso era novidade. rsrsrs... Mereceu o divertido registro.
Em pouco mais de 10 minutos vencemos a distância que separa o Pedágio do hotel onde me hospedei.
Já foram 1.864 km percorridos. E mais 35 km de carona (com os 17 de hoje). Coincidência: quando fui ao Chile de bicicleta em 2010 (http://viagemaochiledebicicleta.blogspot.com.br/), também foram 35 km de carona...
Bait'abraço!
Boa noite!
ResponderExcluirSeja bem vindo ao nosso Rio Grande, apesar dos nossos motorista!
Já estarei um pneu nesta estrada (passei por cima de uma roda no meio da pista) era uma escuridão no meio do nada.
Belas fotos
Abraços
Leonardo
Acabei não acompanhando as portagens do inicio de semana e agora já saiu de Rio Branco. Queria aproveitar para fazer umas encomendas. Só uma caixa de vinho e Uma de freixenet. Fica para próxima rsrsrs
ResponderExcluirE a carona na Ambulancia! Mais feliz que Pinto no lixo rsrsrs
Boa essa... rsrs... na verdade, mesmo evitando sempre pegar carona, essa foi providencial. Não fôra a carona, estaria dormindo sentado até agora numa cadeira no Pedágio, porque não podia montar a barraca e não tinha mais condições de pedalar.
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