sábado, 25 de janeiro de 2014

23º dia - 24.01.2014 - A maior pedalada: 150 km

Buenas, pessoal!
Já estou bem perto de casa!
Hoje, depois de passar o dia inteirinho na estrada - das 08h às 22h - venci a maior distância num só dia desde quando saí em viagem, no último dia 02: 150 km entre São Lourenço do Sul e Guaíba. Estou acomodado na Pousada Guaíba, de onde amanhã de manhã parto para cumprir o último trecho desta fantástica percorrida, de ida e volta ao Uruguai de bicicleta.
E no dia de hoje, vencendo sistematicamente os quilômetros, ora nas planícies tapadas de arroz, ora nas coxilhas de campos a perder de vista, bati na casa dos 2.000 km já rodados. Merece a foto!


Na saída do hotel, não reencontrei meus novos amigos, os norte-americanos Bratt e Sarah. Lerão o blog certamente, então registro meus votos de uma estada proveitosa no Brasil. Merecem!
E pra quem gosta de praia de água doce, o destino é esse que percorri ontem e hoje: Laranjal, São Lourenço do Sul, Arambaré, Tapes, Barra do Ribeiro, todos cidades ou povoados à beira da Lagoa dos Patos. A própria BR-116 propagandeia as belezas desses locais.


Cheguei, em Guaíba, à noite, um verdadeiro croquete: besuntado de protetor solar, mas suportando mais um dia de muito calor, suando cântaros, a polvadeira das obras da rodovia deixando o entorno marrom, dá para se imaginar o resultado... encardiu tudo: roupa, alforjes, capacete. E eu.
Mas ainda assim, em meio ao caos protagonizado pelas retroescavadeiras, patrolas e caçambas, um olhar mais atento pode descobrir beleza. A mamãe natureza sempre dá um jeito.


Aí, o povo de Sertão Santana resolveu fechar a rodovia - hoje! Sexta-feira, à tardinha, todo mundo querendo chegar logo em casa - para protestar pelo asfalto prometido há mais de 20 anos, promessa ainda não cumprida. Quilômetros de engarramento em ambos os sentidos. Ninguém passava. Ôps, quero dizer, eu passei. Fui pelo acostamento, cheguei no povaréu, alguém quis me barrar mas uma mulher mais velha, gordinha, baixinha, de boné, gritou: "Esse aí pode deixar passar!". Autorizado pela liderança, bah, fiquei me sentindo! Acabei desfilando o camelão e este bonitume para a fila de veículos do outro lado por quilômetros. Mazah!!!
Mas minha esnobada cobrou o preço: 20 km à frente furou a câmara do pneu traseiro. Um arame. Bem feito... rsrsrs... quis me aparecer...
Mais montenegrinos na estrada: a Amanda, colega da minha filha Manoela, e a família, voltando de um passeio. Passaram por mim, me reconheceram, pararam num posto para me esperar, abraços, risadas, comentários, foto.


Foram 150 km hoje, 2.079 no total.
Amanhã, ponte móvel, ponte estaiada (1ª vez de bicicleta), Rodovia do Parque, a perigosa BR-386, RS-124 e... CASA!!!
Estou muito feliz!
Bait'abraço! 

6 comentários:

  1. força aí, pai! reta final, hein?
    Foco, Força e Fé. estamos ansiosos (desta vez com "s") e cheios de saudades! Vem logo! O churrasco eu providencio... Te cuida.
    com amor, o xucro, bagual, redomão, mal domado, baldoso e cuiudo!

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    1. Hehehehe... bonita homenagem, indo me buscar de bicicleta na chegada! Valeu!

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  2. Quando leres esta mensagem provavelmente estarás em casa, feliz e realizado. Parabéns, Paulinho!

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    1. Estou em casa, feliz e realizado! Obrigado, Amanda! Foi realmente tudo muito legal! Beijos!

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  3. Nobre amigo e desde jovem irrequieto,
    Esse esforço de sair do local de conforto e partir em busca do novo é uma qualidade notável.
    Entendo isso como uma ascese que não se encerra no destino, senão na própria caminhada.
    Parabéns!
    Te deixo de presente um trecho do sempre eterno Quintana:
    “A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
    Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
    Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
    Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
    Mario Quintana [A cor do invisível]
    Sérgio Schons

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    1. Bah, querido amigo! Que homenagem bonita! Sempre disse que o bonito é chegar, mas que também é muito bonito percorrer. E bonito planejar. Somos felizes também enquanto sonhamos com o projeto, e vamos colocando-o em prática.
      E as palavras do Mário Quintana... bom... permitindo o trocadilho, "sem palavras"!
      Obrigado, Serginho, pela bela mensagem. Abraços

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