sábado, 11 de janeiro de 2014

9º dia - 10.01.2014 - Cicloviajantes e praias

Buenas, pessoal!
Trovejou, relampejou e choveu muito durante a noite, na cidade de Castillos, onde eu estava pernoitando. 
Quando levantei, de manhã, já recobri os alforjes com as capas, prevendo mais água. Mas não. O tempo aos poucos foi firmando e ao chegar no Balneário Águas Dulces - primeira praia do Uruguai que eu conheci! - foi só o tempo de tirar fotos e já as guardei novamente.
Na entrada do Balneário, uma cena inusitada: um mini-cooper com uma barraca em cima. Quem disse que não dá? rsrsrs


Aliás, Águas Dulces é um balneário simples, as ruas são de areia, e as casas não ostentam luxo. O mini-cooper e os trailers estão estacionados no canteiro central da rua principal, e as pessoas acampadas ali mesmo. É muito estranho para mim, que luto sistematicamente para que os carros não estacionem na beira da Praia do Barco, em Capão da Canoa, onde habitualmente veraneio. Imagina ver "acampados" em cima do canteiro...


A praia seguinte era Cabo Polônio, incrustada num Parque Nacional. Só que há 7 km de dunas entre a rodovia e a praia, carros não passam, e os turistas são levados em caminhões tipo o "dindinho", só que tracionados (4x4). Lógico que é intransitável também para a bicicleta. Sem ter onde deixar meus pertences, desisti de conhecer o local. Ficará para a próxima viagem para cá.

E hoje foi um dia de "fartura" de encontros!
Os primeiros cicloviajantes que encontrei foram o Alexandre, mestre engenheiro mecânico, e a Carol, pianista, que estão curtindo a primeira cicloviagem. Saíram de Porto Alegre dias atrás, pedalaram um trecho no Rio Grande do Sul e depois vieram de carona em outro. Gente muito querida e simpática, foram uma agradável companhia por quase 50 km.


No caminho, juntaram-se a nós 3 argentinos - dos quais sequer decoramos os nomes - e que ora andavam mais rápido, ora mais devagar do que nós. Farofeiros eram eles! Pararam ao meio-dia, sentaram-se na grama à beira da rodovia, puxaram dos alforjes maçã, banana, e ali mesmo compartilharam o fiambre.
Nós resolvemos seguir viagem já que aquela nuvem negra que aparece na foto dos argentinos prenunciava chuva grossa.

Mas que foi bonito o pelotão com 6 cicloturistas, bah, foi mesmo!

Isso que, por nós, ainda passou um cicloviajante alemão, que só nos saudou mas não parou.
Em Punta Rubia, despedi-me do Alexandre e da Carolina, que estavam sendo aguardados nessa praia por dois casais de amigos, a quem também tive o prazer de conhecer.
Logo cheguei em La Pedrera, o próximo balneário. Parei para almoçar e não demorou se achegaram o Gabriel, a Carolina e a pequena Catarina, gaúchos que moram no Rio de Janeiro e que estão passando férias no Uruguai. A conversa - claro - fluiu.


La Pedrera já é uma praia mais requintada, mas fiquei impressionado com a quantidade de hippies. Isso mesmo! Aquela tribo que eu imaginava em extinção - saiões, sandálias, camisas largas e bolsas a tiracolo o "modelito" delas e calça de tecido riscado, colares, barba por fazer, cabelo rastafári o "modelito" deles - simplesmente tomou conta de La Pedrera. Muitos estão sentados nas calçadas vendendo artesanato.
Segui até a beira do mar e vislumbrei uma paisagem muito bonita, digna de cartão postal.


Tirei algumas fotos do local, percorri o vilarejo e segui viagem.
Próximo destino: Balneário La Paloma.
Na entrada da cidade, uma surpresa, uma ciclovia. Não muito comprida, mas o suficiente para me tirar um pouco do sufoco da estrada com acostamento irregular e cheio de buracos da Ruta 10.


Bã! La Paloma é muito linda! Um balneário organizado, com boa infraestrutura, e uma beira-mar fantástica. Como cheguei à meia-tarde, não havia muita gente na orla, e pude circular tranquilamente com a bicicleta pelos acessos à praia. 


Queria seguir viagem pela Ruta 10 até Maldonado, mas fui alertado que a estrada é interrompida por diversas lagoas, e algumas não têm balsa para a travessia. Mais de uma pessoa me alertou que teria que pedalar até Rocha, cidade a 30 km a nordeste de La Paloma, e retomar a Ruta 9 em direção a Punta del Este.
Que remédio! Toca para Rocha.
O que não contava era com o vento, que durante todo o dia soprou a meu favor (claro, estava indo para o sul), e que, ao me virar para nordeste, ficou de frente para mim. Já tinha feito 70 km, foram mais 30 forcejando. 
Nessa percorrida encontrei um casal de argentinos cicloturistas, que só me saudaram mas não pararam.
Mas essa figuraça aí embaixo, o Jerónimo Midias, parou. Também argentino, me fez rir muito com suas tiradas e comentários. Disse-me que viu tanto cicloturista na estrada que acha que está acontecendo uma revolução contra o petróleo... Leva na garupeira da bicicleta uma haste de cana, símbolo da sua percorrida humilde e despretensiosa. De fato, anda numa bicicleta sem marchas, muito simples, leva pouca bagagem, mas é a alegria em forma de gente. Adorei conhecê-lo.


Na entrada de Rocha, passei por mais dois cicloturistas, vestidos com roupas iguais, bicicletas iguais, alforjes iguais... comparando com a simplicidade do Jerónimo, só prova o que sempre digo: a bicicleta é o veículo mais democrático que existe. Serve a ricos, a pobres, a gordos e magros, a homens e mulheres, a jovens e velhos, enfim.
E sem dúvida o Uruguai é um destino especial para as cicloviagens e o cicloturismo. 

Bom, apesar do cansaço toquei até Rocha. A foto abaixo mostra que o dia na estrada foi comprido. A sombra estava comprida também.


Foram 102 km hoje, 785 km no total.
Amanhã, Punta del Este!
Bait'abraço!

6 comentários:

  1. Estou adorando acompanhar sua viagem querido!! Se surpreendeu com La Pedrera e seus hippies? Tens que ver o que é Punta del Diablo!! Pena que passastes direto, mas fica para a próxima, ai verias um balneário simples, com tudo que é tipo de gente, mas com uma simplicidade..boa viagem!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Elenize! Fico muito envaidecido que estejas acompanhando minha viagem! Sem dúvida a diversidade é a marca nesta minha percorrida. Há gente muito rica, gente muito pobre, bonitos e feios, e o Uruguai acolhe a todos. É certo, também, que terei que voltar, para ver o que não vi. Ter dia certo para voltar ao trabalho me obriga a abrir mão de alguns passeios e destinos. Grande abraço.

      Excluir
  2. Bom dia Paulinho!
    Boa viagem. Acho que vou te encontrar, mas de moto..rs...O Uruguai é um país magnifico. Gostam muito dos Brasileiros. Vá e frente. Quando passares por Piriapolis, Visite o Mirante e o Hotel Argentino TFA. Fernando Orth

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querido Fernando! Lembrei-me muitas vezes de vocês, motociclistas viajantes que conheço, or causa da quantidade de motos na estrada. Sem dúvida, a exemplo do cicloturismo, o Uruguai também chama a atenção dos motociclistas mochileiros. Passaram verdadeiros comboios por mim. Tomara nos encontremos, Fernando! Seria muito legal! TFA.

      Excluir
  3. Muito bom acompanhar tuas histórias, Paulinho. Sempre dá vontade de planejar uma empreitada assim também. Fico só imaginando as histórias, os cenários e as pessoas incríveis que cruzam o caminho. Fico seguindo tuas pedaladas. Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amanda... Já foste minha caroneira virtual na viagem ao Chile. Agora de novo! Que legal! Quero te dizer que tem sido muito frequente eu ver casais de cicloturistas na estrada. Andam mais devagar (por que será? rsrsrs...) mas imagino que seja uma história para a vida. A Mariloy bem que tentou fazer uma cicloviagem comigo, mas os joelhos detonados não deixaram... Se te aventurares e quiseres qualquer dica, ajuda, pitaco, fala comigo. Abraços.

      Excluir