quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

13º dia - 14.01.2014 - Colonia del Sacramento!

Buenas, pessoal!
Que boa notícia compartilho com vocês!
Hoje, 13º dia de estrada, após percorrer 1.186 km montado na minha valente Monark Ranger adaptada para cicloviagens, finalmente cheguei no ponto mais distante dessa volta cicloturística pelo Uruguai. Tardesita já, bati nos portais de Colônia do Sacramento, às margens do gigantesco Rio da Prata!
Estou muito feliz!

Passei o dia na estrada, percorrendo os 120 km que separavam meu ponto de partida - Libertad - do destino, administrando o calor, o estoque de água, o cansaço, as incontáveis subidas e descidas de coxilhas, o vento lateral, tudo para chegar ainda dia claro em Colônia.
E consegui! Que alegria!

Antes das 08h já estava na ruta. Sabia que seria um dia comprido, de muita paciência e esforço, ainda mais por causa do calor prenunciado. Com as caramanholas e o litrão abastecidos, resolvi usar uma estratégia especial para dias como o de hoje (de muitas horas na estrada e sob condições adversas): dividir o percurso em trechos de 5 km, os quais, cumpridos individualmente, me davam o "direito" de tomar um golão d'água e me alongar. Simples assim: fazia 5 km, parava, bebia água, me esticava e prosseguia.
Foram 25 "pedaços" de 5 km cada um. Desconsiderei as horas, o relevo, a velocidade média. Apenas a concentração, o giro do pedivela e o odômetro do ciclocomputador para me guiar.
Funcionou. Às 13h, quando parei para almoçar num povoado chamado Valderez (ou algo assim), já havia percorrido metade do caminho.
Numa das paradas para o golão d'água a que tinha direito, divisei uma estátua do ex-presidente uruguaio Jose Battle y Ordóñez. Deve ter sido um grande estadista, pois é nome de rua, de bairro, de rodovia... Só não sei se alguma cidade leva seu nome.


Mesmo de cabeça baixa, em silêncio, olhando ora para o ciclocomputador, ora para o asfalto, não pude deixar de reparar numa companhia barulhenta que tive por dezenas e dezenas de quilômetros: caturritas, milhares delas, voando em duplas de um lado para outro. Em mais uma parada, debaixo da sombra de um eucalipto, pude observar seus ninhos. As caturritas vivem em comunidade e moram em "casas geminadas": cada um desses ninhos tem no mínimo 5 famílias. Como eu demorasse para sair, armaram um gritedo do tipo "ô pessoal, se liga ai ó, tem um ET ali embaixo que não dá jeito de se mandar. Quem tá incomodado faz barulho aí". Fizeram. 

Não só os eucaliptos - que abundam por aqui - eram um rescaldo para o calorão. Qualquer sombra servia. Quando eu encontrava uma parada de ônibus melhorada - como essa da foto - mais ou menos no momento de descansar, bah, era um alívio. Nessa aí aproveitei para comer um pêssego, comprado na beira da rodovia, baratérrimo, porque é produção dos próprios vendedores de beira de estrada, e está na época da safra. Quase dão.


A 30 km de Colônia, a estrada repentinamente deixou de ser pista dupla, o acostamento estreitou, e o que poderia ser um problema acabou se transformando numa agradável surpresa: os últimos 15 quilômetros foram percorridos numa verdadeira alameda formada por coqueiros, que projetavam sua sombra sobre o asfalto, reduzindo sensivelmente a temperatura e dando um visual praiano e norte-americano à percorrida. É muito, muito bonito!


E ai, a tão esperada placa indicativa da chegada na cidade de Colônia!
Não tem como não levantar os braços e comemorar!



Mas o dia me reservava outra surpresa muito agradável...
Quando entrei na cidade, transpus o asfalto e fui pedalar numa ciclovia que há contornando um belo parque, muito arborizado, com grama bem cortada e calçadas limpas. Segui em direção ao centro. A ciclovia acabou e, do outro lado da rua, um casal de idade tomava mate olhando o movimento (e me olhando, certamente, também, afinal, com um "camelão" daquele tamanho, tapado de alforjes até os gorgomilos, não tenho como não chamar a atenção...). Buena tarde, permisso, e desfio a frase decorada de que sou brasileiro, não falo espanhol, é necessário hablarem despacio comigo, blá, blá, blá... perguntei se eles poderiam indicar um hotel ou albergue. O senhor apontou para... a casa ao lado! Havia uma placa indicando alquilo por dia. Bati na porta, fui atendido por uma senhora e, na hora, fechei negócio: cozinha, sala, quarto e banheiro, com ar-condicionado e internet por $ 1.000 pesos diários, bah, foi um achado!
E a senhora ainda vai lavar minha roupa suja!!!
E o shopping é do outro lado da rua (por isso que acabou a ciclovia), e nele há um mercado que fecha às 11 da noite!
E eu estou a 800 metros da orla! Posso fazer turismo de manhã, vir almoçar "em casa", se quiser!
Aproveitando a geladeira e o microondas, comprei alguns mantimentos no mercado. Amanhã também quero passar um pano na bicicleta - está podre de suja - e aproveitar o dia para conhecer Colônia.
Na 5ª-feira, toca pra casa!

Estou feliz! Radiante por ter chegado bem em Sacramento, pelo acerto na montagem da bicicleta, pelas opções de roteiro e pernoites.
Agora, é curtir!

Bait'abraço!

8 comentários:

  1. Que bacana!!! Especial a sensação de dever cumprido depois de um dia comprido! Que trocadilho infame, hehehe! Lendo o texto me lembrei das caturritas e da alameda antes de chegar. Foi mais ou menos nessa época do ano - um pouco mais cedo - que passei por aí, lá nos idos de 2001, depois de passar a virada do ano me revirando com dor de estômago em Piriapolis... Mas foi uma baita viagem. Como é bom acompanhar o amigo e reviver bons momentos! Aproveita a estadia, Colônia é uma cidade bem legal e com um monte de ângulos bacanas pra fotografar na parte antiga. Aliás, que contraste com o mar de concreto que se enxerga láááá loooonge, na outra margem do rio (Buenos Aires), em dias com ar limpo! Aproveita a viagem, bom retorno!!! Abração!

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    1. Muitas fotos hoje, Léo! É uma volta ao passado. Estou encantado com este lugar. Até porque a história do Rio Grande do Sul está ligada à história de Sacramento (a famosa troca de Colônia - para os espanhois - em troca das reduções jesuíticas do RS - para os portugueses, por causa do Tratado de 1750.
      Bueno, sai uma sugestão de novo roteiro para 2018? rsrsrs...
      Bait'abraço

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  2. Que maravilhoso Paulinho!!!! Incrível ler e imaginar como seria estar aí, em meio a tais paisagens... As alamedas, as caturritas... Haja perna!!! Hehehehehe

    Aproveita e bom retorno!

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    1. Foram surpresas agradáveis da estrada, Vânia. A bicicleta nos permite olhar a paisagem nos detalhes, parar, curtir, fotografar... ainda não entendi porque as pessoas não viajam mais de bicicleta. Nem que fossem passeios curtos, de 2, 3 dias, veriam como é interessante passear sobre o selim da bicicleta. Beijocas.

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  3. Paulinho...Demais, fantástico...consegui visualizar a "garupa" da bicicleta na via com os coqueiros...Só hoje parei para ler teu blog.. Vou agora, ler desde o início desta aventura!! Parabéns pela determinação, força de vontade, empenho e claro, coragem!!! Um abraço bem apertado nosso: Dani, Carlos, Osmar e Ana.

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    1. Dani! Que legal que tenhas curtido mais essa maluquice minha. O Osmar me viu passando de bicicleta dias atrás, treinando para essa cicloviagem. Diga-lhe que cheguei! E que agora é hora de pedalar de volta para casa. Beijos a todos!

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  4. Graças a Deus!!!, chegou na tal da Colonia de Sacramento, parabéns Paulinho.

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    1. Obrigado, Mári. Amanhã, rumo à casa. A saudade começou a apertar de verdade. Agora, quem quer chegar logo sou eu. Te amo.

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